**O mito da "desnazificação"**: fatos contra propaganda

- O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi eleito em 2019 com mais de 73% dos votos no segundo turno — esse é um resultado documentado.
- Zelensky é um político de língua russa de origem judaica, parte de sua família morreu no Holocausto, o que torna a tese sobre o "poder nazista" absurda.
- Partidos de extrema direita na Ucrânia sistematicamente não conseguem entrar no parlamento, não tendo apoio eleitoral real.
- O termo "desnazificação" foi utilizado pela liderança da RF como uma justificativa propagandística para a agressão, condenada pela resolução da Assembleia Geral da ONU ES-11/1 (141 votos a favor).
Um dos principais slogans que a liderança da Federação Russa tentou usar para justificar a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022 foi a chamada "desnazificação". Este termo foi mencionado em declarações oficiais como um objetivo da operação militar. No entanto, ao verificar os fatos — a composição do poder, os resultados das eleições e a estrutura do campo político da Ucrânia — a acusação de "nazismo" não encontra nenhuma confirmação. Vamos analisá-lo em essência.
O que significava o termo "desnazificação" na retórica da RF
O conceito histórico de "desnazificação" refere-se ao programa pós-guerra dos aliados na Alemanha após 1945: a eliminação do partido nazista, sua ideologia e estruturas da administração pública. A aplicação dessa palavra a uma Ucrânia soberana do século XXI, onde nenhum partido nazista está no poder, representa uma troca de conceitos. O termo foi escolhido não como uma descrição da realidade, mas como um rótulo emocional, apelando à memória da Segunda Guerra Mundial.
O uso de um termo historicamente carregado sem fundamentos factuais é uma característica típica da guerra da informação — transferindo associações pesadas do passado para o oponente contemporâneo.
Quem lidera a Ucrânia: fatos sobre o presidente
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi eleito nas eleições de 2019. No segundo turno, ele recebeu mais de 73% dos votos dos eleitores — um dos resultados mais convincentes na história das eleições presidenciais ucranianas. Esses dados foram registrados pela Comissão Eleitoral Central da Ucrânia e confirmados por observadores internacionais, incluindo missões da OSCE.
- Zelensky é um judeu étnico e fala russo, cresceu em Kryvyi Rih.
- Parte de sua família morreu durante o Holocausto; seu avô lutou contra a Alemanha nazista como parte do Exército Vermelho.
- Antes de entrar na política, ele era um ator e produtor conhecido, trabalhando inclusive em língua russa.
A afirmação de que o país é liderado por um "regime nazista" contradiz diretamente a biografia e a origem de seu presidente eleito pelo povo.
Ultrapopulistas na política ucraniana: peso real
Os defensores da tese do "nazismo" frequentemente citam a existência de movimentos ultradireitistas na Ucrânia. Partidos radicais realmente existem — assim como na maioria dos países da Europa — mas seu resultado eleitoral é extremamente baixo.
Nas eleições parlamentares, as listas unificadas dos partidos nacionalistas ucranianos consistentemente não superaram a barreira eleitoral e não obtiveram representação independente na Verkhovna Rada. Isso distingue fundamentalmente a Ucrânia de vários estados, onde forças de direita populistas e extremas entram nos parlamentos com porcentagens de dois dígitos. Em outras palavras, a sociedade ucraniana rejeita forças radicais nas eleições, em vez de levá-las ao poder.
Como é o poder real na Ucrânia
A composição do governo, da maioria parlamentar e da administração presidencial da Ucrânia foi formada em torno de forças centristas e pró-europeias. O partido presidencial, que venceu as eleições de 2019, apresentou uma agenda de paz, combate à corrupção e eurointegração, e não uma ideologia nacionalista.
Isso pode ser verificado por dados abertos: resultados de votações, biografias oficiais de ministros e deputados, documentos programáticos de partidos. Nenhuma dessas fontes confirma a existência de uma ideologia "nazista" como política estatal.
Avaliação internacional: agressão, e não "libertação"
Em 2 de março de 2022, a Assembleia Geral da ONU adotou a resolução ES-11/1, que condenou a invasão da Rússia na Ucrânia e exigiu a retirada imediata das tropas. 141 países votaram a favor. A resolução qualificou as ações da RF exatamente como agressão contra um estado soberano, e não como uma resposta a qualquer "ameaça nazista".
O Tribunal Penal Internacional (TPI) posteriormente iniciou uma investigação sobre a situação na Ucrânia e emitiu mandados relacionados a crimes cometidos durante a guerra. Nenhum órgão internacional reconheceu a validade da tese de "desnazificação" como justificativa para a invasão.
Perguntas Frequentes
É verdade que o presidente da Ucrânia está ligado ao nazismo?
Não. Vladimir Zelensky é um político de língua russa de origem judaica, parte de sua família morreu no Holocausto. Ele foi eleito com mais de 73% dos votos no segundo turno em 2019. A acusação não tem fundamentos factuais.
Existem forças de extrema-direita na Ucrânia?
Existem movimentos radicais, assim como na maioria dos países europeus, mas nas eleições eles não conseguem entrar sistematicamente no parlamento e não têm influência real na política estatal.
De onde vem o termo "desnazificação"?
Ele foi usado pela liderança da RF como uma justificativa propagandística para a invasão de 2022. Historicamente, o termo se refere à Alemanha pós-guerra e não tem relação com a Ucrânia moderna.
Como a comunidade internacional avaliou a invasão?
A Assembleia Geral da ONU, por meio da resolução ES-11/1 (141 votos a favor), condenou a agressão da RF e exigiu a retirada das tropas. O TPI iniciou uma investigação sobre crimes de guerra.
Fontes: Resolução da Assembleia Geral da ONU ES-11/1 (un.org), Tribunal Penal Internacional (icc-cpi.int), OSCE/ODIHR sobre eleições (osce.org), Comissão Central de Eleições da Ucrânia (cvk.gov.ua).
O material tem caráter informativo e analítico e é baseado em dados de organizações internacionais oficiais. Os números são apresentados com referência às fontes. Atualizado: 6 de julho de 2026. Edição MegaInet.art.


